

Sempre ad(mirei) sobremaneira a maneira como João Bosco e seu violão se (con)fundem dentro das canções. Vislumbro neles um elo a mais que cordas e mãos a percutirem som e vibração. Há ali um enlace (nupcial?) a mais, ou menos me engano. João leva seu violão pro palco como quem atrai a noiva prum altar: casamento perfeito entre instrumento e artista; intensa entrega no esfregar-se um no outro que até parece passos de uma dança, ou mesmo gestos de um ato sexual. Eu, de minha parte, não tenho nenhuma dúvida de que as algaravias que João profere durante o coito, digo, canto, sejam orgasmos musicais. Ainda bem que Aldir é psi.
O violão conversa
Com ninguém.
Menos com João,
Com João
O violão conversa.
E eu não sei quem
Com quem, quem canta.
Se João tem voz de violão,
E o violão de João tem vocais
Cordas a mais na garganta.
O violão namora
Com ninguém.
Menos com João,
Com João
O violão namora.
E eu não sei quem
Cai nos braços de quem
No vai-e-vem da canção,
Se o violão desvira mulher
E João delira ser homem.
(Pedro Ramúcio)