quinta-feira, 8 de setembro de 2016

PARA UM COMPOSITOR NO RIO

PARA UM COMPOSITOR NO RIO

p/ Paulinho Pedra Azul

Teus sambas são Guimarães Rosa
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Machado de Assis
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Mário de Andrade
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Monteiro Lobato
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Murilo Mendes
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Drummond
Tocando e compondo cavaquinho
Pois que Sinal Fechado
Está
No meio do caminho
Da canção, Paulinho

Teus sambas são
Noel
Teus sambas dão
Cartola
E vice-versa,
Paulinho
Da
Viola

GV, 7/9/2016


(Pedro Ramúcio)

PARA UM COMPOSITOR NO RIO

PARA UM COMPOSITOR NO RIO

p/ Paulinho Pedra Azul

Teus sambas são Guimarães Rosa
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Machado de Assis
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Mário de Andrade
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Monteiro Lobato
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Murilo Mendes
Compondo e tocando violão

Não, teus sambas são Drummond
Tocando e compondo cavaquinho
Pois que Sinal Fechado
Está
No meio do caminho
Da canção, Paulinho

Teus sambas são
Noel
Teus sambas dão
Cartola
E vice-versa,
Paulinho
Da
Viola

GV, 7/9/2016


(Pedro Ramúcio)

domingo, 21 de abril de 2013



AO MESTRE, COM SAUDADE

p/ Thelmo Lins e Roberto Lima

Sob sua batuta
Só obra-prima se desenhava
Às minhas retinas

Sob sua batuta
Futebol-arte entrava em campo
Pura pintura

Sob sua batuta
Hei de ter sempre linda lembrança
De um gol-de-placa

Sob sua batuta
O craque avança e lança a bola
Passe de mágica

Sob sua batuta
Tantas conquistas, vitórias épicas
Alma lavada

Sob sua batuta
Escuto um canto de glórias vindo
Da arquibancada

Telê Santana
Eterno mestre
Quem o conhece
Não esquece jamais

(Pedro Ramúcio)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CLARO ECLIPSE


Quem escreve sempre recebe uma encomenda aqui, outra acolá: olerê, olará. Há tempos me foi pedida uma letra de canção, dois anos mais ou menos. Ensaiei daqui, rabisquei de lá, e nada digno de nota, de notas. Por fim, saíram logo duas letrinhas: AQUELA LETRA e esta aqui, riscada logo após a primeira que emperrara por algum tempo:

Até amanhã eu te disse e já hoje
Este bendito dito dia
Em que eu te faria uma letra de canção
Com todo esmero e o requinte
De milionárias rimas ricas
Líricas à la Baleiro
Líricas à la Baleiro

E já que hoje é o amanhã de ontem
E será o ontem de amanhã
Pago minha dívida com outra promessa
Pois o mesmo sol que cessa à noite
Faz-se eclipse em meu refrão
De uns tempos pra cá
Não tenho sido lá um Chico César
Não tenho sido lá um Chico César

(Pedro Ramúcio)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SUASSUNA ETÉREO

Enfim um poeta que é contra a Morte, essencialmente a dele.

Paraíba, minha mãe
Pernambuco, meu pai

Taperoá, Taperoá
Onde hão de não me enterrar

__Uma estrela é pra costela do céu

(Dedicado a Caetano Veloso, a quem um dia assisti
lendo lindamente, na TV, o tercerto de Ariano:
"Por isso,  não vou nunca envelhecer:
com meu Cantar, supero o Desespero,
sou contra a Morte e nunca hei de morrer.")

(Pedro Ramúcio)

sábado, 20 de agosto de 2011

ALITERAÇÃO

O verso é uma vontade de voar.

Santos Dumont, poeta dos ares,
Tal vez tenha composto o grande 
                        Poema humano
Quando sonhou de inventar o avião.
Nunca ninguém deu mais asas à
                              Imaginação,
Nunca ninguém chegou mais perto
                                      De Deus.

Eu que me guio com o remo das rimas,
Que ando sempre à deriva,
Que derivo do sonho,
Ponho meus olhos no infinito
E ao menos nesse momento de silêncio
                                               E grito,
Imito: faço bis ao 14 Bis.

O verso é uma vontade de voar.
O verso é a mais velha vontade de voar.

(Dedicado a Zelito Viana e seu "Bela Noite Para Voar")

(Pedro Ramúcio)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

POEMA RETO

A beleza está na curva, nas curvas.
__ Benditas curvas de Oscar Niemeyer!

(Dedicado a LARAMARAL, poeta certa do cerrado)

(Pedro Ramúcio)

sábado, 9 de julho de 2011

POETAS DE RESPONSA

A cada poema uma obra-prima!
Assim é, amigos, e sempre o será:
Se quisermos ser poetas de responsa. 

Só com um milagre não se faz um Cristo,
Nem dois mil gols inventam outro Pelé.

(Dedicado a Fernando Pessoa, de tantas "Tabacarias".
Dedicado a Marcantonio, do "Diário Extrovertido", de super"Bangs!")

(Pedro Ramúcio, de cacófatos mil)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

NA DOR LIDA DE UM FINGIDOR

13 último, Fernando Pessoa fez 123. Da adolescência, terrrrrrrrrremoto tempo em que comecei a ler o imenso poeta português (que escrevia de pé/e era outro a cada vez), relembro este poeminha guardado na 'parede da memória':

Sempre que leio, escrevo.
Do que li, escrevo o que não li:
O que lesse, lido em mim.
Há pouco lia Fernando Pessoa.

(Dedicado a todos que um dia tiveram
"lágrima nos olhos de ler o Pessoa")

(Pedro Ramúcio)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

MÃOS DE MANASSÉS

Adelson Viana e Manassés

Quando Raimundo Fagner era um dos maiores intérpretes da MPB e tinha uma das melhores bandas do Brasil, o cearense Manassés fazia parte desse time e era, sendo-o ainda, um dos maiores craques com um instrumento nas mãos, as cordas partindo diretamente do coração, alado coração de inspirado instrumentista e compositor. Para o grande Manassés de Sousa semeio aqui uns pares de versos (fossem ímpares!) como agradecimento por tanta coisa bela que dele, de lá de Paris, daqui de Fortaleza, para além de Brasília, já pude ouvir.

Eu queria ter mãos de Manassés
Pra moer músicas com meus pés.

Eu queria ter mãos de Manassés
Pra coser líricas com meus pés.

Eu queria ter mãos de Manassés
Pra colher pássaros com meus pés.

Nômade, uma palavra de amor.
Uma palavra de amor, nômade.

Eu queria ter mãos de Manassés
Pra verter mágicas com meus pés.

Eu queria ter mãos de Manassés
Pra tecer sílabas com meus pés.

Eu queria ter mãos de Manassés
Pra deter exércitos com meus pés.

Nômade, uma palavra de amor.
Uma palavra de amor, nômade.

(Dedicado a Roberto Lima, poeta que pinta crônicas
com as tintas de Renoir e Rubem Braga;
Dedicado a Márcia Cristina Lio Magalhães, mineirinha
que virou paulista e está cearense, do blogue "Poetar é Preciso")

(Pedro Ramúcio)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

QUALQUER VALIOSA COISA

O que fazer
Quando quero fazer
E não sei o que fazer?
__ Fazer uma canção!

O que dizer
Quando quero dizer
E não sei o que dizer?
__ Dizer um poema!

Breve, leve.
Leve, longo.

E que lembre, de janeiro
A janeiro, a sangue e fogo,
Desesperadamente,
Qualquer valiosa coisa
Do poeta Pablo Neruda.

(Pedro Ramúcio)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

FILHO PELA CULATRA













Vim
Dum
Ventre
Quente
Que me
Atirou no
Frio oco
Do mundo.
Somente
Tenho
O consolo
De ser mor-
Tal. Tal
Qual
Um vírus.

(Dirigido a Osama - que não amava ninguém - Bin Laden)

(Pedro Ramúcio)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

TINHA UM PÊNALTI

Prometi um poema pro Zico, um dos maiores que a bola já conheceu. Ei-lo, surrupiado ao Drummond: um dos maiores que a palavra já conheceu.

No meio da Copa tinha um pênalti
Tinha um pênalti no meio da Copa*
Tinha um pênalti
No meio da Copa tinha um pênalti

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na lida de minhas chuteiras tão consagradas
Nunca me esquecerei que no meio da Copa
Tinha um pênalti
Tinha um pênalti no meio da Copa
No meio da Copa tinha um pênalti

Mas a vida não se resume a um pênalti
Vai, Zico! ser craque por todo o sempre

*Copa do Mundo de 1986, no México

(Dedicado a AL-Chaer, craque de Goiânia)

(Pedro Ramúcio - perna de pau de Valadares)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

"TEATRO DA VIDA"

Porque nem sempre se pode roubar a cena, roubei o título deste poema...

Você vai ao teatro
E depois do terceiro
Ou quarto ato
Depois de o drama
À plateia, exposto
Aplaude com saúde
A tragédia dos outros

(Abram-se as retinas)

(Dedicado a Lara Amaral, do "Teatro da Vida")

(Pedro Ramúcio)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O POETA GARCIA LORCA RESSUSCITA UM INSTANTE

Uns lutam a vida inteira e são inprescindíveis: simples pensar do imprescindível Bertolt Brecht.

Nenhuma aurora trará de volta o poeta
O poeta que se perdeu pelas noites
O poeta que não se rendeu aos açoites
O poeta que não se curvou aos algozes
O poeta que era e tinha mais de mil vozes
O poeta que agora descansa nalguma tarde
Feita para seu poema em forma de fogo
E sangue

Nenhuma tarde ainda que liberta trará de volta
O poeta que se partiu rútilo pelas manhãs
O poeta que pariu rios de águas salgadas e sãs
O poeta que desdenhou a sanha de seus assassinos
O poeta que desenhou nos muros novos destinos
O poeta que agora repousa nalguma noite
Perfeita para seu poema em forma de lodo
E luzes

(Dedicado ao bardo de Braga Jorge Pimenta, que andara lendo Lorca recentemente)

(Pedro Ramúcio)

quarta-feira, 30 de março de 2011

JOSÉ ALENCAR SOBE ÀS NUVENS

Uns passam, outros perpassam nuvens indevassáveis.

Com fé de Alencar,
Mover montanhas.

(Pedro Ramúcio)

segunda-feira, 21 de março de 2011

QUEREM FRÁTRIA

Um é baiano e está lançando o livro com DVD "Sotaque em Pauta - Chula: o canto do Recôncavo baiano", juntamente com Nizaldo Costa.
Outro é mineiro e está às voltas com o projeto "Minha Pátria, Minha Língua", criado juntamente com Carlos Borges, que receberá em abril, para uma rodada boa com o intuito de promover o idioma português - tupiniquin - e a literatura brasileira no exterior, o escritor e romancista gaúcho Luis Fernando Veríssimo, nos EUA.
Eu tenho muito orgulho de ser amigo deles, que aguentam das minhas, coitados.

Tem dois Robertos que fazem morada em meu peito,
No lado esquerdo, onde ambidestro bate o coração.
E cada batida tem o tom de dividida, sino estreito
De uma religião chamada poesia,
Devassa devoção.

Acontece que os dois Robertos, por meu mau feito,
Mas palavra de honra, jamais minha mínima intenção,
Furtaram-se, mútuo assalto, a um abraço deles de direito,
Frustrado encontro, em que, tonto,
Fui de fato o ladrão.

Era pra ser em Belo Horizonte, capital que espreito
Nesta alma minha tão sonhadora, Esquina da Canção.
Roteiro digno de Rossellini, Tertúlia do melhor confeito,
Convidados de prima compondo
Orquestra à ocasião.

Palma de Ouro para o elástico elã de anfitriã
E anfitrião.

Da Bahia viria Roberto Mendes, singullaríssimo sujeito,
Poeta que rima acordes no rio de cordas do seu violão.
Dos Estados Unidos pintou nosso craque cronista eleito
Roberto Lima, mineiro dru-mundo
E suas pétalas na mão.

Tudo pavimentado, chance de nenhum contra-efeito:
É sabido que mineiro não perde o trem; baiano: o avião.
Porém, ah, porém, não se glosa sempre todo proveito,
Sonho é semente que dá flores, frutos, frases,
Filmes ou não.

Meus bons amigos foram se encontrar, eu satisfeito,
Inda que nem mo saibam, no sotaque em pauta da paixão,
Posto que ambos, em ditirambos por nossa pátria e leito,
Lutam por preservar o idioma brasileiro,
Frátria razão.

Precisariam eles, me pergunto, de minha
Prestidigitação?

(Dedicado a Mariana Botelho, autora do livro de poemas
"O Silêncio Tange o Sino", que ainda não li mas já gostei)

(Pedro Ramúcio)

quarta-feira, 16 de março de 2011

TSUNAMIS

Para acordarmos, às vezes, é preciso passar pelo pesadelo.

Pode o que não pode ser,
Pobre a pedra de ouro.
Pode a manhã amanhã nem nascer,
Matam a alma para revender o couro.

Pode o mar não se conter,
E vir bater à sua porta.
Pode o que não pode ser:
Celebram a vida, ainda mais se aborta.

Pode tanto ser tão pouco,
Pode o que não pode ser.
Preso o pássaro solto,
Deixam a lógica aos loucos se perder.

Pode a birra virar ira,
O irmão te fira a bel-prazer.
---------------------------------,
Ah! Pode ser o que não pode ser!

(Dedicado ao poeta e engenheiro Al Chaer, de Goiânia -
Césio-137, nunca mais!
Para a psicóloga e escritora Lígia Paz, de Blumenau in Curitiba pour Manaus -
autora do livro da capa verde "O Segredo Dos Invejáveis")

(Pedro Ramúcio)