Pequeno quintal de quimeras, apenas um jardim de lembranças e homenagens, que só sabe ser cultivado a várias mãos. Sê sempre benvindo a essa Pasárgada perdida, a essa Terra do Benvirá.
Hoje uma nova página se escreve na história do Brasil. Que a leiamos com duradouro orgulho por longos séculos, torço e terço.
Que obra, manobra de minha alma, Herdarei como deixada aos leitores Que me lisonjearão com a lembrança De meus escritos, meus gritos guardados Pelos ares?
Que honra, redoma de meu caráter, Deixarei como herança luminosa, Sol que não cessará uma noite sequer De rebrilhar sobre meus gestos Por meu País?
(Dedicado à Dilma Rousseff, primeira mulher a presidir o Brasil)
José Carlos Capinam é um poeta baiano que atravessou gerações de parceiros sem jamais perder o requinte de estabelecer com cada criador de melodias sobre (ou sob) seus sempre afinados versos, uma parceria ímpar. Não sei se o homenageio aqui, mas cito-o com muita alegria neste poema que me nasceu ao ouvir na memória uma canção da América dele. Soy loco por ti, Capinam.
Devo sentir que sem ti sou um sofredor
Devo sonhar que sonhar é substituir a dor
Devo saber que saber é se enganar
Devo dizer que calar é consentir sem se contentar
Devo lutar que não lutar é estar sem luz
Devo amar que não amar é carregar de outro jeito a cruz
Devo sorrir que sem sorrir o riopassa desigual
Devo cantar que sem cantar o verbo é um numeral
Devo querer que por querer faço o festival
Devo erguer que ao erguer passo do passional
Devo dispor que por dispor dispo sem desvestir
Devo compor que ao compor pareço que eu vou parir
Devo servir que servir é vir a ser fã do afã do Capinam
Devo ousar que ousar é ouvir ontem o amanhã
Devo perder que perder é fonte de encontrar
Devo temer que temer, pois, são dois a se admirar
Devo chorar que chorar é uma oração sem ajoelhar
Devo orar que orar melhora minha hora de caminhar
Devo pedir que pedir permite que eu ganhe ou não
Devo doar que doar simplesmente faz bem ao meu coração
Devo descrer que descrer desfaz o toldo azul do céu
Devo rever que rever refaz da noite um dia de véu
Devo passar que passar é o recomeço depois do fim
Devo durar que durar é o futuro de pra onde eu vim
Devo cair que cair é medir a altura mais pura de mim
Devo voar que voar é poder visitar a casa de um querubim
Devo tecer que tecer é entreter com o mesmo teor
Devo rimar que rimar é ser poeta mesmo sem um tear
Devo dever que dever é devolver o vaso ao criador
Devo propor que propor é prorrogar o prazo de entregar
(Dedicado ao baiano Roberto Mendes, atual grande parceiro de Capinam)
Há uns dias soprou-se-me uns versos em intenção de Dali, o poeta das tintas tontas; tantas. Depois de ler "Para um quadro de Dali ou Magritte" do poeta de feiras fartas Assis Freitas, eu prometi a ele (e a mim) que lhe dedicaria o poema que estou pintando em homenagem ao artista catalão. Acontece que as estrofes engarrastanharam, e nem sei quando darei cabo ao rabo de foguete em que me meti: um poema que não quer sair... Pra aliviar a barra e tentar ganhar tempo para cumprir com minha promessa, trago este poeminha que rabisquei ontem e, por coincidência ou acaso, ou ocasos mais que ocasionais, trata de tema similar à "elegia breve e assustada" com que me deparei há pouco lá no "mil e um poemas" do craque com as palavras Zé de Assis, ou Maradona de Ondina, como o rebatizara outro fera de rara estirpe, nosso amigo Roberto Lima, do "Primeiríssima Pessoa".
Há poemas que são apenas penas de um poeta. Há outros poemas, porém, que são uma espécie De ressurreição.
(Dedicado ao poeta de quinhentos mil talheres Assis Freitas)
Em 9 de outubro de 1999 a poezia brazileira perdeu um de seus mestres mundiais de Literatura, João Cabral de Melo Neto.
Em outubro passado, eu postara aqui no Canto Geral uma singela homenagem a esse pernambucano do mundo, após ler, em artigo do craque Alécio Cunha (que faleceria um mês depois, em decorrência de um AVC, na flor dos seus tenros 40 anos de idade), a pouca repercussão, principalmente no Brasil, dos dez anos da morte do autor de "Morte e Vida Severina".
Hoje reposto o poema com que tento, à minha mineira maneira, reverenciar o grande artista do verso que exercia o fazer poético pelo rigor e pela razão, abolida inspiração.
E eu não poderia deixar de dizer da tristeza que também sinto com a perda do grande artesão da palavra que foi Alécio Cunha (com quem eu estreitava laços via e-mails, torcendo virasse amizade; num, ele me respondeu sobre este mesmo poema, seco feito o poeta de "Uma Faca Só Lâmina": "poema bem elaborado").
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Com suor, essa mão
Espalha o pó e o pólen
Do poema inda virgem:
Zangada inspiração.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Essa rima no chão,
Rama que não podem
Desbastar das mãos do Homem,
É rio sem contramão.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Esse rio em questão
Sobe na estiagem.
Pro tempo, qual barragem?
Saudade é inundação.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Esse oceano-sertão
Precisa de drenagem.
Confusa sua paisagem,
Sol e chuva se lavam.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Essa poça, alçapão.
Líquida hospedagem.
Hóspede sem bagagem:
Só o ladrado de um cão.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Esse poço, prisão.
Lodo por toda margem.
Nódoa na mútua imagem:
Os pixels da ilusão.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Esse fosso, fusão.
Fósforo pós-fuligem.
Fóssil sem data; origem.
Cisterna em combustão.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Esse brejo, vulcão.
Sertanejos que fingem.
Violeiros que tingem
De silêncio a canção.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Essa gota, erosão.
Água de árida nuvem,
Neve de leve friagem.
Fiado o fio do algodão.
Com pesar, sem João.
Apesar de não sem.
O que vai, vai e vem.
O que há, há e não.
Hoje, o rabiscador de quimeras que vos digita estas mal trançadas linhas não foi almoçar na casa da sogra da musa-esposa. Amanhã, tudo será como antes, noves fora tudo.
Enquanto, no outro quarto, o rapaz da loja de móveis
Monta o guarda-roupa novo que abrigará velhas indumentárias,
Eu penso num poema de Mallarmé.
Será que o rapaz que monta o velho guarda-roupa
Já pensou num poema de Mallarmé, ou não?
"Daqui a pouco chega a musa-esposa,
Dona do guarda-móveis em meu peito,"
Ela que sonhava com um guarda-roupa novinho
Ficará feliz de saber que a loja de móveis usados
(As lojas só vendem móveis usados; novos, só a fábrica)
Já mandara o montador de móveis que agora, no outro quarto,
Brinca de quebra-cabeça, juntando as peças numeradas
Que formarão um velho móvel chamado guarda-roupa,
Enquanto eu lembro dum poema de Stéphane Mallarmé.
Enquanto eu nem sei se o rapaz que monta o guarda-roupa
No outro quarto, ele que acaba de virar poema,
Num quebra-cabeça feito de palavras que eu brinquei de montar,
Por esses remunerados dias recebi via e-mail umas cantigas causadoras de fagulhas e lágrimas, estas que nos lavam a alma e aquelas que percorrem espinhas dorsais. Tudo, obra e carinho do cronista de poemas sempre lindos, ele, não por acaso e jamais por qualquer ocaso ocasional, fã do afã do poeta das crônicas mais lindas, Rubem Braga. Quem me enviou as cantigas é o escritor e jornalista mineiro Roberto Lima, editor do jornal Brazilian Voice in EUA. Também responde pelos blogues Primeira Pessoa e Olho Lírico, além de colaborar às quintas-feiras no Tertúlia Pão de Queijo, blogue coletivo que me dá água na boca (vou burilando minhas estrofes esquizofrênicas, meus minipoemas). Dentre as cantigas enviadas, algumas do ex-Trovante Luis Represas, artista português que acaba de inaugurar linda parceria com a baiana-luz Margareth Menezes, pra quem eu tenho a honra de trançar este símplice poeminha:
Quando Margareth Menezes Abre a torneira, vaza uma cachoeira (de luz) De sua imensa garganta Então ela entorna uma tonelada Do seu canto tanto Sobre nossas perenes cabeças É que em si ela guarda Represas, Luis É que em sol ela encerra o Recôncavo, Roberto
Vez por outra ouço aqui e acolá que o bardo baiano, o grande Caetano Veloso, não é mais o mesmo. Num domingo desses, por exemplo, o Fagner disse no programa "Conexão Roberto D'Ávila", pela TV Brasil, que o pai da Tropicália hoje escreve pouco e fala muito... Será que o Sr. Caetano Emanuel Vianna Telles Veloso é bananeira que já deu cachos (e que cachos!)? Será que 'menopausa' - menor pausa - dá em poetas? Da minha parte tenho também Tanta Saudade de Chico Buarque!
Eu não posso mais certas rimas Fui poeta mil anos atrás Agora canto torto, saudade ensina A glória é uma camisa-de-força
Por força do hábito inda sonho Estrelas caídas no chão Hora vivo o verso de ontem Hoje acordo sem acordes na mão
Sou poeta por que fui poeta? Página pede pela nova canção
Vou poeta porque fui poeta Ainda é de trovas meu coração!
Por dizer de Picasso (e Pessoa tão presente em mim desde sempre) em resposta ao comentário da Dra. Vanessa Souza Moraes do "Meu divã é na cozinha" - blogue de rara lucidez - que me visitou na postagem última dedicada a Rodin, lembrou-me estes versos que o poeta e compositor Samuel de Abreu in Sampa musicou com muito talento e competência (duas versões disponíveis no youtube).
Preciso a primeira página Preciso Picasso, Pessoa e girassol Preciso a virgem vermelha lágrima Preciso o peixe, a pedra e o anzol.
Preciso a terceira margem Preciso coragem, comida e girassol Preciso viajar a última viagem Preciso poesia, música e futebol.
Preciso a pílula e o elefante Preciso a coruja, a noite e o girassol Preciso amores eternos e diamantes Passar a tarde inteira em teu lençol.
Preciso o cacto e a primavera Preciso o vento, o vinho e o girassol Preciso o pêssego, a morena e a quimera Preciso a pétala íntima, manhã com sol.
(Dedicado ao professor, poeta e engenheiro AL-Chaer de Goiânia)
Olá, pessoal da pesada e da minha mais prezada apreciação. Estive - tive que estar - ausente do blogue por alguns intermináveis dias: uma cirurgia urgente que eu deveria ter realizado há uns dez anos, mas só no último 30 de junho criei asa e coragem para enfrentar o fio da navalha. Oxalá, correu tudo bem. Agora, minhas hemorreimas não são mais desculpas esfarrapadas (pimenta no dos outros é refresco, né!) para eu não trabalhar - ah! como dói -, não postar minhas 'maus' trançadas rimas, não viajar pela aí em busca de tertúlias fulgurantes, não ir mais vezes a Santo Amaro da Purificação - Vila do meu Feitiço -, não cumprir alguns compromissos tão simples e corriqueiros, nem outros pequenos poréns para além da minha mínima capacidade de persuasão poética... Dos primeiros dias de recuperação, os mais 'inspira-dores', ofereço-lhes estes versos trazidos ao lume num dos momentos de grande gozo em que eu pude, literalmente, ver, ouvir e tocar estrelas na íntima Via Láctea que se tornou o banheiro por ocasião das minhas mais profundas meditações, se é que me entendem (rs)...
A dor é um orgasmo que não suportamos, Espasmo da alma obtendo abster-se do corpo. O prazer é um grito de quem está morto. Morte? A melhor moradia que habitamos!
Alegria, alguma ilha ao Sul donde estamos. Loucura seria achar a bússola e o barco E volver a travessia fatal de um parto... Porto seguro é a nuvem de que despencamos.
Pecado é o fruto maduro que não ofertamos! Epicuro vertendo suas vestes aos céus, Felicidade é a cidade dos tabaréus!
Aos sábios lhes baste a arte de serem bons! Aos tolos lhes dêem outra tábua de dons! Enquanto isso reinamos, remamos, teimamos...
(Dedicado a Frida Kahlo, quadros e esquadros em que me banho: lagos lá em Nina Rizzi ou Adriana Calcanhoto)
Há artistas que são divisores de água, que partem o tempo ao meio, que estabelecem novas fronteiras (de paz!), que movem moinhos futuros, que descontroem muros de concreto mas erguem pontes imaginárias de luz (verdadeiros arcos-de-triunfo da humanidade), que são antenas da raça. Com sua religiosidade pacífica, pregando a não-violência, Gandhi foi um desses artistas. Com seu claro canto iluminador, Renato Braz pertence à espécie.
Quem faz assim com a voz
Põe é tudo ao contrário
O poeta salvo no calvário
O rio vai nascer na foz
Quem canta assim des’jeito
Põe é tudo arrevirado
O amor sem um pecado
O humano sem defeito
Quem lança um canto assim
Põe é tudo ponta-cabeça
O imponderável aconteça
O impossível tenha fim
Quem desfia assim uma canção
Põe é tudo detrás pra frente
O antigo de moda novamente
O moderno em liquidação
Quem traz assim o sol em si
Põe é tudo fora do trilho
O poente reluzente brilho
O breu se oriente aqui
(Dedicado ao músico valadarense Marcelo Novaes,
quem primeiro me disse de Renato Braz;
ao percussionista biquense Zé Bré, com quem simpatizei
à primeira vista: ele num programa do Boldrin,
eu em casa 'dando milho aos pombos';
ao poeta Roberto Lima, pra que a lista fique infinita...)
Sabe aquelas vezes que você escreve em puro estado de febre, e, vãs, as palavras vão brotando involuntárias de suas mãos ávidas por descansar do dédalo que habita o teclado do computador? Estes estranhos e aninhados versos nasceram-me assim, baixados do céu ou levantados do chão, não sei ao certo, só sei que essa febre quando passa dá de novo...
Quanto tempo casto gasto pra fazer o verso
Que só faço quando lasso enlaço a lua?
Quantas rimas primas principio do precipício
Mas antes do fio o poema já chegou ao fim?
Quantos rostos toscos ponho face a face
Com o espelho do Evangelho e nasce um beijo?
Quantas palavras gastas no cio e no silêncio
Mas quando balbucio crio uma orgia de almas?
Quantas histórias desbotadas pela tinta da memória
Repinto num pedaço de papel de mim poeta?
Quantos músculos exaustos gesticulo e pulo
Por cima do mais alto muro que não cerca a poesia?
Quantos livros em branco arranco as páginas
E preencho com romances dignos de Dostoiévski?
Quantos títulos vitalícios invento sem intento
De me tornar autor de clássicos de qualquer espécie?
Quantas estrofes esquizofrênicas saltam dos meus dedos
Longos longe de eu ser uma Cecília Meireles?
Quantos cantos eternos, efêmeros ou meros
Alexandrinos miro sem a mira de um Dante ou Homero?
Quantos decassílabos esmiúço amiúde e jamais
Pude comparar-me um centímetro com Vitor Hugo?
Quantos heterônimos reais recriei ao meu redor
Fingindo para mim mesmo que eu paria Pessoas?
Paro aqui estas interrogações quase infinitas
E aborto o poema, ou repontuo-o de vãs exclamativas?
Quem me dera agora eu tivesse uma viola pra cantar!
Este pobre rabiscador de quimeras rende-se hoje no dia dos namorados todos os dias à sua musa-esposa-poeta-cantora numa cúmplice homenagem de amor e paixão.
Entre teu corpo e o meu Foi posto o amor Nenhum dos dois enlouqueceu Ante o ciúme enlouquecedor...
Entre tua palma e a minha Foi posta a paixão Uma tão grande e a outra pequenininha Nenhuma menor que o maior coração...
Entre teu beijo e o nosso Foi posto o desejo Viver de amor meu amor é tudo o que posso Ancorar-me em teu corpo, único porto que vejo...
Entre nosso abraço e a lua Foi posta a madrugada Desço teu ventre e encontro, destrancada e nua A janela da mulher que já é minha eterna namorada...
A deferência é uma das maiores formas de reverência, e vice-versa. Vide os versos do talentosíssimo poeta Assis Freitas, que transponho, feito um rio, leito de um São Francisco caudaloso de lirismo e redemoinhos poéticos (perigoso então ficar só nas margens da poesia, e isso lembra canção de Roberto Mendes, outro baiano genial: há que naufragar nessas águas do tempo, para assim se lavar melhor), vide os versos abaixo que deságuam lá do "mil e um poemas" aqui no Canto Geral. Banhem-se, amigos! Fartem-se com esse raro percurso pela obra oblíqua e reta de Drummond, desde Itabira até Feira de Santana:
"Este é o poema no blogue
por onde o poeta escuta
se dele falam mal
ou se o amam.
Um poema no blogue
sequioso de comentários?
São nenhum livro velho
e mais nem um livro novo
de um poeta inda mais louco
que a morte que sonhou
e contudo o provoca
a morrer nunca e sempre.
Tantos livros que a vida
empurrou para longe
de mim
mais um poema no blogue
em que o poeta se contempla
e se diz bom-dia
(ensaio de boa-tarde,
variante de boa-noite,
que tudo é a vasta noite
em seus compartimentos
nem sempre respiráveis
e todos habitados
enfim.)
Não me leias se buscas
flamante novidade
ou sopro do Pessoa.
Aquilo que escondo
e o mais que segue explícito
em negros alçapões
são notícias humanas,
simples estar-no-mundo
de um heterônimo-órfão,
um não-estar-estando,
mas de tal jeito urdidos
o roubo e a confissão
que nem distingo eu mesmo
o sentido e o solapado.
Tudo roubado? Nada.
Nada sentido? Tudo.
O blogue pouco cuida
de direitos autorais:
e a paródia mais rica
é um sinal de mais."
Mero rabiscador de quimeras.
Pode-se dizer um obstinado: abandonou a faculdade de Direito no último ano (de fato, quase um advogado). Depois enveredou pelo Jornalismo, Publicidade & Marketing, novamente sem concluir graduação; contudo, todavia, porém, já produziu e dirigiu comerciais para TV e Rádio, e colaborou no Diário do Rio Doce no caderno de esportes. Para quebrar a regra, que ninguém é santo, é administrador de empresa no ramo de Moda - essa que muda sempre de ramos - desde muito cedo, atividade em que É NEM aprendiz nem Phd: survivor. Sonhava ser um grande poeta, que viesse ao menos a agradar. Hoje dorme com a realidade de muitas contas a pagar diuturnamente. Mas ainda sonha, e escreve nas horas vagas das Horas Vagas das HORAS VAGAS: quem sabe ainda pinta um roomance divisor de mágoas, um poema construtor de águas! No futebol, e outras matérias, foi craque e perna-de-pau; mas, isso, nem Freud nem Pink Floyd explicam. Toca violão mal como ninguém: a musa-esposa paga todos os pecados. Comunga da Poesia como verdadeira religião: fernandopessoa, mestre entre mestres (não sei onde é, mas é Deus). E mais não digo, só se me for perguntado...
Apontamentos
-
1.
Em que língua falarei eu de Poesia? Azul-celeste, antracite, cor de
morango, de limão? Ouvi dizer que a Poesia fala todas as línguas do
coração. Si...
TODOS OS MEUS MORTOS: ANIVERSÁRIO
-
Curiosamente, na minha infância não havia festas de aniversário, nem minhas
nem de amigos nem de familiares. Ninguém. Não consigo lembrar de ter ido a ...
O Menino da Chuteira Vermelha
-
O trem parte às 7h. O lanche preparado pela mãe já está embrulhado em
papel-alumínio. É a primeira viagem de trem da vida de Félix. O apito da
locomotiva...
-
Quando a crueldade aparece, muitos perguntam: "Onde vai parar a humanidade?"
Eu olho ao redor e vejo que ela continua no mesmo lugar: entre o erro e a ...
Novo livro: Coração na boca!
-
Quantas vezes nós, mulheres, silenciamos sentimentos que transbordam no
peito? Fingimos indiferença diante de ausências que doem, sorrimos quando a
alm...
Adolescência
-
Arte de Katerina Lomonosov
Era uma alameda branca,
atapetada de papel de seda.
Não tinha sombras,
cantos escuros,
não tinha muros.
Permanecia.
Até que...
Sobre amar os covardes.
-
É difícil amar os covardes.
E não é que não tenham seu apelo. Suas famílias funcionais, suas
declarações contundentes, suas carreiras estáveis com sa...
The Algorithmic Self
-
How AI and Social Media are reshaping human communication and identity?
Even though some answers seems to be pretty obvious it may be - actually -
really ...
Carnaval
-
Tendo visto com que lucidez e coerência lógica certos loucos justificam, a
si próprios e aos outros, as suas ideias delirantes, perdi para sempre a
segur...
Digital Marketing (0882-2542-4139)
-
Digital Marketing Jawa Timur 0882-2542-4139 – Hai semuanya!
Saat kita berbicara tentang Digital Marketing Jawa Timur 0882-2542-4139,
kamu mungkin merasa...
A religião do mal
-
Tudo o que somos para além do que nos destina a natureza em nossa odisséia
biodegradável é fruto da cultura, educação, política e religião. A política
s...
A fundura da queda
-
Não tem ninguém em casa. A família foi passar o carnaval no Brasil e você
fica em New Jersey. Fica por compromissos de trabalho, mas fica também por
opçã...
The Silence
-
venho
dos outros lados de lá, dos lados do inferno
trago
a pele queimada pelo fogo da espera
tenho
os olhos cobertos de cicatrizes, como se tal fosse p...
A vida
-
Cresci mais do que previa.
Voei mais do que sabia.
Senti o sol, o céu e a imensidão da vida.
Agradeci todas as manhãs e todas as feridas,
vez que sem elas nã...
Balbúrdia Poética
-
*Balbúrdia Poética*
Dia 11 de outubro - 19h
La Taberna de Laura
Rua Xavier da Silveira, 34
Copacabana - Rio de Janeiro-RJ
a contribuição milionária de to...
Cantos para Helena (XXVI)
-
(Art by Diane Ethier)
XXVI
Hoje é 26, Helena
giramos todos, tontos
ao redor de um sol alheio ao que vemos
[Dizem: haverá um tempo de luz
passada toda...
LIVRO NOVO: Queria ficar por aqui
-
Em 06/04/2019, lancei mais um livro infantil: *QUERIA FICAR POR AQUI*,
primeiro volume da minha *COLEÇÃO PEQUENO FILÓSOFO*,
com ilustrações de Rafael Dant...
AMOR FELIZ
-
Amor feliz é como água do mar que você pode ver os seus pés.
Amor feliz é quando você não esconde nada. Nenhuma tristeza, nenhuma
alegria, nenhuma mensagem...
Um último poema para epitáfio
-
Oh Esteves
Uma andorinha pousou na minha sorte
No meio do caminho tinha um beco
Eu não conheço ninguém em Pasárgada
O trem das onze não passa em Jaçanã
Lídi...
-
Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande..."
É com este pedido de Adélia Prado, sublime escritora, que inicio o texto de
hoje. Às...
Confusão
-
imagem do Google
Cada vez mais distante
da sanidade
Meu entendimento
truncado
me aparta da verdade
Sinto me desconectada
da compreensão
do todo e de tud...
CORDEL ENVENADO
-
*Fotos por Fernando Campanella*
*O menino da casa ao lado solta uma pipa vermelha - descarrega, puxa,
assovia. Testa a liberdade ao vento como se com um...
Um punhado de coisa aos 32
-
Enquanto agradeço as felicitações pelo meu aniversário, eu procuro
compreender o quê de fato representa 32 anos.
Um punhado de coisa surtiu efeito ao lon...
Sinto falta de mim, em mim.
-
Olá,
Sabe que neste findar de Setembro, poderia te dizer de tudo o que passou.
Do que não foi dito ou sentido.
Mas, com a chegada da primavera sei que...
Até logo! ^^
-
Olá Caçadores!
Tudo bem com vocês?
Alguns de vocês sabem que eu sou a coordenadora do Clube do Livro MA e por
isso, diante da minha situação atual, ter doi...
Salamina
-
Primeira coisa, esqueça *300 de Esparta* !! A Grécia é muito mais do que
apenas uma batalha caricata hollywoodiana.
Estamos no século 5 a.C e a Grécia ...
Tivesse o Poeta Um Caminho
-
"O poeta não tem caminhos, porque ele trilha sonhos...
Tivesse o poeta a sabedoria das aves,
Que sobrevoam oceanos sob um céu escarlate,
Lançaria um feitiço...
Razer_Project_Valerie___Open_Perspective.jpg
-
[image: Razer_Project_Valerie___Open_Perspective.jpg]
This Wallpaper is rated *10* by BING for keyword Razer Project Valerie, You
will find this result at ...
tomorrow never comes (III)
-
Tentava escrever
o esboço - vestígio do corpo,
a macia semente do vento
a traço de giz
da cor do barro, da cor da nuvem carvão;
acontecia o espinho, o p...
Dias piores virão
-
" A eleição de outubro será a marca de corte de uma nova etapa do golpe, a
sua fase 2. Muito mais dura, muito mais violenta, muito mais
anti-democrática, m...
Dia qualquer
-
Acorda correndo pra tomar café o dia é curto, mas dá pra fazer aquele chá.
Termina logo aquela enrolação e vem aqui me socorrer, aquele beijo atrasou.
Não...
Retomando este blog
-
Nasceu o dia:
Até chegar a
Quando eu resolvi retomar este blog, adormecido, ou cataléptico, desde
2013, há três anos, portanto. ...
-
Uma gotinha do céu caiu no seu olhar
E de azuis foram feitos os sorrisos
Um raiozinho de sol brilhou na face
E no coraçãozinho brotaram sonhos e doçuras...
ARMELAU – O MESTRE TAXIDERMISTA BRANDON
-
Brandon, escriturário e mestre do ofício da taxidermia, um homem dotado de
extrema magreza e aspecto frágil, o qual naturalmente compensava com a cara
de...
ASILO
-
Tem um rio que corre dentro desse velho.
É um rio de águas rasas, que corre e escorre,
vem pelos olhos e vaza,
enche as rugas
e a mão velha tenta tenta, ma...
1969 - Alegria, Alegria - Vol. 3 - Wilson Simonal
-
Oi pessoal! Neste primeiro sábado do ano (aliás, feliz 2016!), depois de
alguns meses longe das postagens, trago aqui no Blog mais um disco do
carioca Wi...
Memórias
-
Memórias
Eram ladrões:
Levaram as coisas de valor,
Todo o brilho material por onde os olhos avistava.
A fortaleza de ouro.
.
Eram Trabalhadores:
Levar...
Poema de Alberto da Cunha Melo
-
*NESTE INCERTO LUGAR*
"O essencial é assustadíssima
e soberba ave, como um galo:
só duas mãos, dentro da treva,
sem ruído, podem pegá-lo
ou surpreendê-lo n...
The Bélier Family (2014)
-
Full Length of The Bélier Family in Best LookNow you can watch full The
Bélier Family in HD format with duration 105 Min and has been launched in
2014-12-...
Se...
-
Já não sei o que eu seria hoje em dia
Não há como saber
Por isso só posso estar onde eu deveria estar
Porque foi exatamente isso que aconteceu.
Mundos par...
O Cachorro que caiu da mudança
-
*Almoço de domingo, vamos todos nos reunir em volta do meu pai João Luís,
quase oito décadas de vida, amor e doce rabugice. E ele, como de costume,
vai d...
-
*Retornando após 4 anos de ausência...*
*Minha última matéria postada, com o título *
*" O Brasil dos Bilionários, em plena crise Mundial".*
Hoje vemos o ...
-
L,
Domingo dura vários anos. Acordei e tomei banho com folhas de mirra. Meu
coração hoje resolveu fotografar as horas. A fotografia me acalma.
Enfeitei gar...
Sem Imaginação para Título...
-
Olá;
Sei que um blog abandonado assim causa a impressão de que seu autor morreu,
mas estou viva \0/ (ok e daí?)
Bem atualizando minha vida, estou oficialme...
Calçada reforma...
-
Eu apenas queria colocar ardósia (pedra que faz parte da calçada já
composta) nos dois espaços onde havia uma grama (relva) que nunca crescia
bonita. Digo ...
AS SEM-RAZÕES DO AMOR
-
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é ...
The Jesuit (2014)
-
Free Streaming The Jesuit in Best LookNow you can see The Jesuit in high
definition format with duration 120 Min and has been aired on 2014-12-31
with MPA...
dreamy white
-
Winter or summer I always love white. Living here in a unit / apartment it
gives a feeling of space and tranquilty and feels like a sanctuary, miles
away f...
Vítima
-
Tinha um medo secreto de se tornar também uma vítima.
Toda sua vida, ela o sabia, estava comprometida, caso alguma acusação a
levasse a Rogério.
Entre o rec...
sentimento de araque
-
Coisa inútil e inveja, sentimento de araque. A pessoa enxerga no outro algo
que pensa querer ter demais. E e tao forte o olhar na grama do vizinho que
...
um elemento da minha alcateia
-
*agreste*
o mar nunca vi
mais belo deus
meu peito estava sem
sentinelas mas
– não te preocupes – não
doeu introvertê-lo
fechei meus (de espanto)
olhos ...
Meu Goiás entrou no jogo
-
Eu tinha prometido a mim mesmo que não iria escrever sobre o Meu Goiás
nesta volta à Série A do Brasileirão 2013. Esperaria o ano passar para ver
no que i...
[Ano III, No. 27 - 2013] DES-CONSTRUINDO O GÊNERO
-
....................................VINHETA DE APRESENTAÇÃO E SUMÁRIO
Revista Ellenismos, 27: des-construindo o gênero from nina rizzi on Vimeo.
........
Essas Tardes...
-
Hoje, pensando na MTv (que agoniza), lembrei do período em que bandas
descobriram clipes como ferramenta de divulgação do trabalho. Alguns
marcaram o [meu]...
Sempre Haverá Pássaros II
-
Esse é Kasper Hauser, um enigma da humanidade, o filho da Europa; é a mais
ingênua manifestação dos desejos. Tímido e feliz, assim foi Kasper Hauser. ...
Konsumen cerdas paham perlindungan konsumen
-
Konsumen cerdas paham perlindungan konsumen Sudahkah saya mulai kehilangan
nafsu makan panjang saya untuk menulis buku harian? Tampaknya lebih dari
upaya h...
Música Minas em novo endereço
-
Atenção: Programa Música Minas em novo endereço!
Editais e informações atualizadas disponíveis no site www.musicaminas.com
Dúvidas e sugestões podem ser ...
a history of the blues
-
[image: a history of the blues]O blues tem suas raízes mais profundas nas
canções de trabalho dos escravos africanos. E nos campos de plantações do
sul d...
o exercício tátil da distância
-
*Quando […] acordou, manhã alta, sentiu na casa uma presença, talvez não
fosse ainda a solidão, era o silêncio, meio-irmão dela.*
José Saramago, *O Ano da ...
Privataria Potiguar¹
-
T
Se tudo seguir o ritmo das privatizações no estado, irei ganhar alguma
coisa me unindo a Amaury Ribeiro Jr².
udo começou em outubro de 2010, o est...
Mulher Espelhada
-
A mulher estende-se diante do vidro prateado
E reage dando-lhe as costas,
Sua face luta contra a verdade
E a verdade é rápida.
- guilhotina para pescoços ...
fruindo
-
.
.
.
naqueles dias precisei desaprender quase tudo
o céu era velho
a voz era gasta
e eram feitos de véspera os tons tardios do meu sol
[quis renascer]
...
-
Querida Sylvia Plath
Tantas vezes presa
Pelo silêncio de seus poemas.
Na plenitude de seu amor
Atravesso o horizonte,
E desmancho lençóis de
Corpo nu no ap...
-
"Por mais que lutemos contra o tempo, ele sempre vence."
Informo que o blog a partir de hoje estará off por tempo indeterminado.
Algumas mudanças, o tempo ...
Sobre o abraço
-
Se um homem soubesse o poder que seu abraço tem ao acolher uma mulher, a
segurança que ela sente, todas as melhores coisas que passam em sua mente,
o qua...
A Terceira Margem do Rio
-
Junho é de choro mesmo e este ano não podia ser diferente.
Hoje morreu meu melhor amigo.
Hoje partiu a pessoa na qual eu mais confiava, o amigo ao qua...
Meu Coração - Remix por Deeplick
-
* Arnaldo Antunes - Meu Coração (Deeplick Remix) by antunes_arnaldo *
*Arnaldo Antunes invade as rádios com “Meu Coração” em versão remix*
Ela já tinha ga...
Renascer
-
25 de setembro. A primavera ressurgindo após um inverno insensato,
amargurado pelo nostálgico e febril término de romance. Lágrimas enxugando
a loucura, li...
Mensagem de náufrago
-
O Projeto 365 Canções cumpriu sua missão: ouviu e leu uma canção diferente
a cada novo dia durante os 365 dias de 2010.
Agradeço aos companheiros de viagem ...
Zé Balila: o fotógrafo de gerações
-
*"Fotografar, é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o
coração." (Henri Cartier-Bresson)*
Foi assim que, em quase meio século trabalhando ...
CIPÓ-DE-SÃO JOÃO (PYROSTEGIA VENUSTA)
-
Foto por Fernando Campanella
*... tão típicas do inverno, flores de São João e de todos os santos de
junho. *
*...so typical of the winter in Brazil, f...
PRIMEIRO AZUL
-
EM TONS DE AZUL
espalhei as letras.
(O céu corou!)
Arrumei-as na fonte das palavras
e no olhar das estrelas
(O céu estremeceu!)
Agora caem em mim
Com sabor
...
2/1/2004 08:45:39 AM
-
*O ESTADO DE S.PAULO, CADERNO 2/CULTURA, página 04, 1º/02/04*
*Dois autores da geração 60 reúnem suas obras*
Armando Freitas Filho e Álvaro Alves de Faria...
SOLIDÃO ACONTECE!
-
Por um caminho errante andar, andar
Depois parar!
Correr na contramão de uma avenida qualquer,
Criar um mundo próprio e nele viver.
Lutar contra a multid...
Blogagem Coletiva - Interlúdio com Florbela
-
*UMA FESTA PARA FLORBELA!*
.
♥
.
..
Este Blog foi criado para postar todos os posts de todos os Blogs que
participaram da homenagem a essa divina poetisa n...